Os 3% de cashback do Ether.fi Cash Card e os seus tetos mensais
O número dos 3% é a parte que toda a gente repara. É também a que mais se percebe mal. Uma taxa de recompensa não é um programa de recompensas completo. O teto, o escalão, o ativo pago e o padrão real de despesa decidem o valor.
O Ether.fi Cash Card pode ser apelativo aqui, sobretudo para quem já cumpre um escalão coerente com a sua despesa mensal. O perigo está em tratar o maior número como se valesse para cada compra e para sempre.
Os tetos mudam depressa a conta
Quem gasta umas centenas de dólares por mês vive o cashback de outra forma do que quem passa renda, viagens e despesas de empresa pelo mesmo cartão. Se a taxa alta só vale até uma faixa mensal, a taxa efetiva cai assim que essa faixa se esgota.
Não é um truque. A maioria dos programas de cartão funciona assim. O erro é comparar a manchete de um cartão cripto com teto com um cartão bancário sem teto, ou comparar dois cartões cripto sem perguntar para onde cai a taxa depois de esgotado o escalão atraente.
Recompensas não são o mesmo que poupança
O cashback pode compensar algumas taxas, mas não deve desculpar despesa descuidada. Se uma compra desencadeia margem cambial, taxas de multibanco, custo de empréstimo ou risco operacional extra, a recompensa talvez só faça a decisão parecer mais limpa do que é.
A pergunta melhor é aborrecida: faria à mesma essa compra com este cartão ignorando o cashback? Se sim, a recompensa é um extra. Se não, o cartão está a empurrá-lo para um comportamento de que provavelmente não precisava.
Uma forma útil de ler a oferta
Estime primeiro a sua despesa mensal normal com cartão. Depois aplique o teto do escalão a esse número. Ignore tudo o que só gastaria a correr atrás de recompensas. O resultado costuma ser menos entusiasmante do que a manchete, e mais útil.
Isto não é um argumento contra o cartão. É um argumento para ler um programa de recompensas como adulto, o que dá menos gozo e sai muito mais barato.